Que legado você pretende deixar para o mundo?

Flávio Resende*

Ao visitar o Museu do Amanhã, no Rio, em pleno feriado da Semana Santa, me senti provocado pela exposição multimídia a refletir sobre o meu desejo para o futuro das próximas gerações. Nada tão oportuno num momento em que deveríamos todos refletir sobre como podemos renascer para o novo, ainda que, em muitas circunstâncias, nos sintamos no meio do caos ou até incapazes.

Este é o tipo de pergunta que nos fazemos recorrentemente, mas de forma coletiva e lúdica, foi a minha primeira experiência (por sinal, incrível!). Interagindo com uma atendente virtual, lá no museu, fui indagado sobre que questão me sinto mobilizado a contribuir para mudar o mundo e torná-lo melhor num espaço de tempo exequível. Sem pensar muito, prontamente, respondi: “quero viver num mundo em que as relações humanas sejam pautadas mais pelo respeito e pela ética; e que tenhamos condições de sustentar e honrar a nossa palavra, em qualquer circunstância, mesmo que isto signifique sacrificar os nossos próprios interesses ”.

Na sequência, a tal atendente apresentou três proposições de organizações do Terceiro Setor que trabalham com esta temática, de modo a me estimular a juntar-me a eles nesta empreitada.

Se “soltarmos” os preceitos disseminados pela mídia, é bem provável que descubramos que há mais gente boa no mundo do que indivíduos dispostos a ganhar vantagem em relação ao outro. Vivemos numa sociedade predominantemente de gente trabalhadora e honesta, que luta bastante para sobreviver e crescer, mesmo diante de tantas dificuldades e mazelas. A grande questão, provocada pelo museu, pra mim, foi: “o que você é capaz de fazer, mesmo quando ninguém está olhando?”

Pode estar aí algo que, efetivamente, faça a diferença na nossa vida em sociedade: resgatarmos valores éticos e morais sobre os quais passemos a agir com o outro do mesmo modo com que esperamos ser tratados. Parece básico, repetitivo até, mas, ao meu entender, ainda não assimilamos.

De fato, a resposta para esta indagação revela muito sobre nós. Afinal, é politicamente correto e aceito aquele que ajuda ao próximo, e que se dispõe a apoiar o outro, independentemente do que receba em troca.

Eu mesmo, antes de me envolver com projetos sociais, me cobrava por participar de trabalhos voluntários, escutando um chamado que ecoava de dentro de mim, desde muito novo. Mas tudo era desculpa para deixar de agir, fosse pela dor de dente, pelo cansaço ou pelo passeio com a família.

A consciência deve nos despertar do ostracismo e nos lançar em direção ao que nos move, ao que nos emociona e nos toca. Sair de nossa zona de conforto para atuar pela coletividade é difícil. Mas requer disciplina e continuidade.

Temos gastado muito tempo com os estímulos tecnológicos e nos esquecido de enxergar que somos seres codependentes. Que a energia que eu emprego na relação com o outro se volta para mim, de alguma forma, mesmo que indiretamente.

Indiscutivelmente, são muitas as demandas do mundo, quase em sua totalidade criadas pela própria ação do homem. Nos vemos acuados por nós mesmos e por nossa incompetência de olharmos para frente, sem prestar atenção no que vivemos no presente.

Já parou para refletir em que legado pretende deixar para os que estão por vir?  Não precisa, necessariamente, de uma iniciativa heroica, que reinvente a sociedade, numa tacada só. Pode ser algo pequeno, começando pelo que identifica que precisa mudar em você. Este é o espírito da vida, independente de que formação religiosa você tenha – estamos aqui para aprender e melhorar.

Parece fácil esta dinâmica, mas nos perdemos olhando para fora, quando o foco precisa ser dentro de nós. Sempre haverá o que aprimorar, o que mexer, o que resignificar.

Não acha que já perdeu tempo demais? Que o mundo clama por urgência? O que pode mudar hoje?

São inúmeras as possibilidades e que mais e mais pessoas, do mundo todo, atraídas pela beleza imensurável do Rio de Janeiro, tenham a chance de apreciar a exposição do Museu do Amanhã e repensarem o papel de cada num nesta mudança que queremos imprimir no mundo. Confesso: mesmo em meio ao caos de violência carioca, pela tarde no museu, senti orgulho de ser brasileiro.

 

* Jornalista, radialista, empresário na área de Comunicação Corporativa e coach ontológico.



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