De 4 a 10 de abril, projeto movimenta centro de cultura e escolas em Ceilândia, Brazlândia e Taguatinga
A partir da linguagem das cyphers (rodas de dança), o projeto “Hip Hop — Um espetáculo para o Brasil” promove imersão artística e pedagógica em escolas do Distrito Federal. Realizada com apoio do Fundo de Apoio à Cultura do DF (FAC-DF), a iniciativa propõe ir além do entretenimento, criando espaço de escuta, pertencimento e reflexão. Através das “batalhas”, a ideia é convidar os estudantes a atravessarem a superfície estética do hip hop para acessar suas camadas mais profundas, com contexto social e político. Receberão o projeto o centro de esporte e cultura CÉU das Artes (Taguatinga Norte), em 04 de abril; CEF 03 (Brazlândia), em 06 de abril e CED 06 (Ceilândia), em 10 de abril. A primeira apresentação é aberta à comunidade, mediante retirada de ingresso gratuito na plataforma Sympla.
No centro da narrativa está o corpo como território de memória e resistência. A montagem aborda vivências negras, periféricas e diversas, trazendo à cena questões como racismo, identidade, gênero e construção de futuro. A ancestralidade surge como eixo condutor: um fio que conecta passado, presente e possibilidades de existência.
A criação e realização do espetáculo estão diretamente ligadas ao trabalho do Natural Rockers, grupo de break dance do Distrito Federal com trajetória consolidada na cena e forte atuação em projetos de base. Fundado em 2011 pelo bboy Zoy (Felipe Mendes), o coletivo acumula participações em importantes competições nacionais e internacionais e, nos últimos anos, tem direcionado sua atuação para iniciativas que aproximam a cultura hip hop de escolas e territórios periféricos.
Essa experiência se traduz em cena por meio de uma construção coletiva que articula diferentes linguagens e vivências. A direção do espetáculo é assinada por Romulo Santos (bboy Romulo), responsável pela concepção coreográfica e pela estrutura narrativa da montagem, combinando breaking com outras vertentes das danças urbanas em uma estética que equilibra técnica, identidade e expressão contemporânea.
Um dos grandes momentos da apresentação será protagonizado pela Bgirl Branca, artista tetraplégica que transforma a cadeira de rodas em extensão de sua expressão artística. Sua presença ressignifica o corpo na dança e amplia o entendimento de potência, acessibilidade e criação. Na coreografia final, todo o elenco dança sentado, em um gesto coletivo que desloca o olhar sobre inclusão: não como adaptação, mas como linguagem estética central.
A força do projeto também está na trajetória de quem o conduz. Coordenador da iniciativa, Diogo Costa carrega no próprio corpo a história que hoje compartilha com os estudantes. “Foi na escola que eu tive meu primeiro contato com o breaking, e ali minha vida mudou completamente. O que começou como curiosidade se transformou em propósito. Hoje, com mais de duas décadas dentro da cultura hip hop, entendo que minha missão vai além da dança: é criar caminhos para que outros jovens também possam descobrir novas possibilidades para suas vidas”, revela.
Inspiração
Inspirado em matrizes afro-brasileiras e no pensamento de intelectuais como Nego Bispo, o espetáculo articula dança, relato e música para construir uma narrativa viva e pulsante. A trilha sonora atravessa referências como James Brown e chega ao rap contemporâneo, reforçando o diálogo entre gerações e territórios, traduzindo o hip hop como continuidade e reinvenção.
O projeto Hip Hop Ancestralidade e Conhecimento nas escolas públicas do Distrito Federal nasce desse compromisso. Mais do que uma ação artística, é uma ferramenta de transformação social, construída a partir do encontro entre artistas, territórios e estudantes.
Ao longo de sua trajetória, os integrantes do Natural Rockers também têm atuado como formadores e articuladores culturais, levando o breaking a espaços como centros culturais, projetos sociais e programas educacionais, fortalecendo o hip hop como linguagem de pertencimento e construção coletiva.
“A cultura pode ser um instrumento de expressão, pertencimento e construção de futuro. Acreditamos que muitos jovens estão apenas esperando uma oportunidade, uma referência, um ponto de partida, assim como aconteceu comigo. A escola foi esse lugar para mim e pode ser para tantos outros. Nosso objetivo é que cada participante reconheça no hip hop uma forma de resistir, de existir e de construir sua própria trajetória”, afirma Diogo.
Ao final do espetáculo, a palavra “CONHECIMENTO” será grafitada em cena, sintetizando a mensagem central: o saber como ferramenta de autonomia e transformação. A obra reforça que educação e cultura, quando caminham juntas, são capazes de reescrever trajetórias e ampliar horizontes.
SERVIÇO
Hip Hop: Um Espetáculo para o Brasil
04 de abril – CÉU das Artes (Ceilândia) – 19h30
Gratuito e aberto à comunidade mediante retirada de ingresso: Sympla
06 de abril – CEF 03 (Brazlândia)
Restrito à escola
10 de abril – CED 06 (Ceilândia)
Restrito à escola
Classificação indicativa: Livre
Realização: Projeto Hip Hop, Ancestralidade e Conhecimento
Apoio: Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF)
Fonte:
Donna Mídia Comunicação
Charlotte Vilela
(61) 98151-2400
donnamidia@gmail.com