Indústria recicladora do plástico consumiu 1,632 milhão de toneladas de resíduos em 2025 e
Projeto Circularize conecta cooperativas a esse mercado
Os dados mais recentes da economia circular do plástico mostram que o Brasil gerou mais de 5 milhões de toneladas de resíduos plásticos em 2025, e a indústria recicladora brasileira consumiu 1,632 milhão de toneladas de resíduos plásticos no mesmo ano, segundo levantamento realizado pela MaxiQuim para o Movimento Plástico Transforma. Iniciativas da Rede pela Circularidade do Plástico apoiam a comercialização de resíduos plásticos entre cooperativas e recicladores, com informações sobre classificação e rastreabilidade dos materiais.
Parte das mais de 1,6 milhão de toneladas de resíduos plásticos chegou ao mercado também por meio de catadores e cooperativas, que participam da coleta, separação e comercialização dos resíduos. “É nessa etapa da cadeia que está inserido o Projeto Circularize, iniciativa da Rede pela Circularidade do Plástico que conecta cooperativas e empresas recicladoras para a comercialização de resíduos plásticos, reunindo informações sobre classificação, características e origem dos materiais”, avalia Juliana Seidel, Líder do Eixo de Design de Embalagens da Rede pela Circularidade do Plástico.
Segundo o estudo, 37% dos resíduos consumidos pela indústria recicladora em 2025 vieram dos grandes comércios de resíduos. As aparas industriais responderam por 22%, os beneficiadores, incluindo recicladores menores, por 18%, as empresas de gestão de resíduos, incluindo logística reversa, por 10%, as cooperativas por 9% e os catadores por 0,8%. A composição do abastecimento mostra a participação de diferentes agentes no caminho que leva o resíduo recuperado à indústria. Antes de ser transformado em nova matéria-prima, o plástico passa por etapas de coleta, separação, classificação e comercialização. As informações sobre o material, nesse percurso, interferem na forma como ele é negociado e no destino que poderá ter dentro da reciclagem.
Movimento da economia circular em números
Os números do levantamento ajudam a dimensionar o mercado que recebe esses materiais. Em 2025, a indústria de reciclagem mecânica de plásticos pós-consumo registrou R$ 4,218 bilhões em faturamento bruto nominal, gerou 21.013 empregos diretos e produziu 1,064 milhão de toneladas de resina plástica pós-consumo (PCR).
Na produção de PCR proveniente de embalagens, as embalagens rígidas responderam por 72,1% do volume, enquanto as flexíveis representaram 27,9%. O índice de reciclagem mecânica foi de 26,6% para embalagens, enquanto o índice de reciclagem mecânica dos plásticos pós-consumo em geral ficou em 21,3%.
Do outro lado da cadeia, o Brasil gerou 5,003 milhões de toneladas de resíduos plásticos em 2025, segundo o mesmo levantamento. Entre o volume gerado e aquilo que retorna à indústria como resina reciclada estão os diferentes fluxos de recuperação, preparação, comercialização e processamento dos materiais.
“A indústria recebe materiais de diferentes origens, e existe um trabalho importante antes de eles chegarem ao processo industrial. Saber o que pode ser recuperado, como deve ser separado e quais são as características desse material ajuda a estabelecer uma relação mais clara entre quem comercializa e quem compra resíduos plásticos para processamento”, afirma Juliana Seidel, Líder do Eixo de Design de Embalagens da Rede pela Circularidade do Plástico.
Como o Circularize atua
O Circularize se insere justamente nessa relação. A iniciativa apoia a comercialização direta de resíduos plásticas entre cooperativas e recicladores disponibilizando informações e referências para identificação e classificação dos materiais plásticos, permitindo uma melhor destinação para a reciclagem.
A qualificação dessas informações também está relacionada à formação dos agentes que participam da recuperação. Os guias técnicos disponíveis no Circularize são utilizados em ações de capacitação realizadas em parceria com a iWrc e a Universidade dos Catadores, com conteúdo voltado à identificação e classificação dos diferentes tipos de resíduos plásticos.
“Existe uma diferença entre separar um material e saber exatamente o que está sendo separado. Quando há mais informação sobre os diferentes tipos de resíduos, fica mais fácil para quem recupera apresentar o material e para quem compra entender suas características. Isso ajuda a dar mais clareza à negociação e ao possível destino daquele resíduo”, explica Juliana.
A demanda por PCR também participa dessa dinâmica. Alimentos e bebidas foram o principal destino das vendas de resina pós-consumo em 2025, seguidos por higiene pessoal, cosméticos e limpeza doméstica.
Para Juliana, observar esses movimentos de forma integrada ajuda a entender o papel das etapas que antecedem a reciclagem industrial.
“Quando falamos do índice de reciclagem ou do volume de resina produzida, estamos olhando para o resultado de um percurso que começou muito antes. Existe o material que foi utilizado para sua função principal, depois foi descartado, quem o recuperou, como foi separado e comercializado e, depois, a indústria que vai transformá-lo. Esses elos estão totalmente relacionados e encadeados”, diz Seidel.
A cadeia de reciclagem reúne agentes com funções diferentes. Consumidores devem destinar seus resíduos para a coleta seletiva, depois catadores e cooperativas participam da recuperação dos resíduos; aparistas, beneficiadores e outros intermediários atuam na preparação e comercialização; e as recicladoras transformam os materiais em nova matéria-prima.
Nesse percurso, o Circularize está concentrado na relação entre cooperativas e indústria recicladora, justamente quando o material recuperado precisa ser identificado, apresentado e comercializado para seguir até o processamento industrial.
A questão não se resume à quantidade de material plástico recuperado. A forma como o material é separado, classificado e informado pode influenciar sua comercialização e a possibilidade de encontrar um destino adequado dentro da indústria.
“O material precisa continuar seu caminho depois da recuperação. Para isso, é importante que exista uma conexão entre quem está na ponta e quem vai receber esse material para reciclagem. A informação sobre os diferentes tipos de materiais plásticos que podem ser reciclados, como são chamados e como devem ser preparados para reciclagem faz parte dessa conexão e pode ajudar a tornar mais claro o percurso até a transformação em nova matéria-prima”, conclui Juliana Seidel.
Fonte: Carla Cunha