Com R$ 40 milhões em apoio direto, iniciativa fortalece soluções comunitárias em todo o país
Em um cenário de agravamento da crise climática, pressão sobre os biomas e desafios crescentes para a segurança alimentar, uma rede de soluções já está em curso no Brasil. Construída nos próprios territórios, a Teia da Sociobiodiversidade reúne hoje 405 projetos apoiados em todos os biomas do país, conectando iniciativas que aliam conservação ambiental, geração de renda e fortalecimento comunitário.
A iniciativa, conduzida pelo Fundo Casa Socioambiental com apoio do Fundo Socioambiental CAIXA, acaba de selecionar mais 203 projetos, consolidando um investimento de R$ 40 milhões em apoio direto a organizações comunitárias em todos os estados do Brasil.
O que diferencia a Teia é o modelo: financiar diretamente quem vive e atua nos territórios – povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e associações locais, reconhecendo que são esses grupos que já desenvolvem, na prática, respostas para desafios climáticos do país.

Na RDS Ponta do Tubarão, no Rio Grande do Norte, pescadores artesanais e marisqueiras protegem o ecossistema. A associação local está desenvolvendo um projeto de banco comunitário com apoio da Teia da Sociobiodiversidade. Foto: Araquém Alcântara
O que é a Teia da Sociobiodiversidade
A Teia é uma estratégia nacional de apoio à sociobiodiversidade que conecta iniciativas locais em rede, fortalecendo soluções baseadas na natureza e negócios da sociobiodiversidade. Os projetos apoiados atuam em frentes como produção de alimentos, manejo florestal, extrativismo sustentável, turismo comunitário e bioeconomia.

Ateliê da Floresta, na Comunidade Rio Branco, na Reserva Extrativista Chico Mendes: iniciativa que transforma madeira de árvores caídas em arte, gerando renda com respeito à floresta. Foto: Acervo Ateliê da Floresta
Na prática, a Teia organiza e impulsiona o que já existe nos territórios, criando condições para que essas iniciativas ganhem escala, ampliem impacto e se conectem entre si.
“São as populações que vivem nos territórios que conhecem os problemas e, portanto, são as que mais sabem como solucioná-los. O apoio permite que essas iniciativas cresçam e gerem impacto para além da comunidade”, afirma Cláudia Gibeli, gestora de programas do Fundo Casa e coordenadora da iniciativa.
A segunda chamada da Teia recebeu 1.812 propostas de todos os estados brasileiros. Após análise técnica, 203 iniciativas foram selecionadas, com presença em todos os biomas e forte atuação em territórios indígenas, quilombolas e rurais.
Os projetos refletem a diversidade do país e também quem está à frente dessas soluções: a maioria é conduzida por associações comunitárias, com protagonismo de mulheres e de pessoas não brancas.
Ao todo, as iniciativas devem beneficiar diretamente mais de 30 mil pessoas e 15,5 mil famílias, com impacto indireto estimado em cerca de 750 mil pessoas. Vale ainda destacar que 90% tem a segurança alimentar como eixo transversal.
Veja o estudo completo dos projetos selecionados
Impacto concreto nos territórios
Na Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, a Associação dos Produtores e Produtoras Agroextrativistas do Seringal Floresta desenvolve o Ateliê da Floresta, iniciativa que transforma matérias-primas coletadas no chão da floresta, como sementes, resinas e madeira reaproveitada, em produtos com valor agregado.

As biojóias produzidas pelas mãos de extrativistas do Acre utilizam madeiras caídas como matéria prima, gerando renda para a comunidade ao mesmo tempo que ajuda a proteger a floresta. Foto: Thiago Foresti
O projeto gera renda e cria alternativas para que jovens e mulheres permaneçam no território, reduzindo a pressão sobre a floresta e fortalecendo modos de vida locais.
“O projeto fortaleceu o nosso trabalho e ajudou a gerar mais renda para as famílias. A gente já vem ampliando nossas atividades”, afirma Rogério Azevedo, associado da organização.
O que muda quando o financiamento chega direto aos territórios

Foto: Thiago Foresti
O acesso a recursos ainda é um dos principais desafios para organizações comunitárias no Brasil. A Teia da Sociobiodiversidade se destaca por enfrentar diretamente esse gargalo, criando mecanismos para que o recurso chegue a contextos onde muitas vezes não há infraestrutura bancária, conectividade ou apoio técnico contínuo.
“Estamos falando de territórios onde muitas vezes não há banco, internet ou infraestrutura básica. Fazer o recurso chegar até a associação, para que ela mesma decida como utilizar, é o que garante autonomia”, afirma Selma Dealdina Mbaye, presidenta do Conselho Diretor do Fundo Casa.
Esse modelo fortalece a estrutura das organizações locais, ampliando sua capacidade de gestão, articulação e incidência.
A escala da Teia também aponta caminhos para o futuro do financiamento socioambiental no país.
Foto: Thiago Foresti
“O desafio sempre foi fazer o recurso chegar na ponta. E esse modelo mostra que isso é possível”, afirma Jean Benevides, vice-presidente de Sustentabilidade e Cidadania Digital da CAIXA.
Para Felipe Bismarchi, superintendente nacional da CAIXA, iniciativas como essa ajudam a reposicionar o papel do sistema financeiro, ao direcionar recursos para quem já produz soluções concretas nos territórios.
Com presença em todos os biomas brasileiros, a Teia da Sociobiodiversidade evidencia que as respostas para desafios como mudanças climáticas, conservação da biodiversidade e desenvolvimento sustentável não precisam ser criadas do zero, porque elas já existem. O que está em jogo é garantir escala, continuidade e conexão.
“A gente existe para ser parceiro de quem está no território, que conhece os problemas e também as soluções. O que precisa é fazer o recurso chegar onde ele deve chegar”, resume Cláudia Gibeli, gestora de programas do Fundo Casa Socioambiental.
Fonte:
Lucas Duarte Matos
Assessoria de Comunicação
Fundo Casa Socioambiental
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