Família também precisa de proteção: como o SUAS atua na prevenção e fortalecimento de vínculos

Rede de assistência social oferece acompanhamento e apoio a famílias em situação de vulnerabilidade para prevenir o agravamento de dificuldades e preservar os vínculos familiares e comunitários

O desemprego, a ausência de políticas públicas, as dificuldades financeiras, a falta de apoio para cuidar dos filhos ou o adoecimento de alguém da família podem tornar a rotina mais difícil. Quando essas questões se acumulam, fica mais complexo lidar com os desafios e manter a convivência familiar e comunitária protetiva. Por isso, a assistência social é tão importante: ela  garante acesso às políticas públicas e direitos básicos às famílias para que enfrentem essas dificuldades antes que a situação se agrave e os vínculos familiares sejam afetados, considerando também a responsabilidade do Estado na garantia de direitos.

O Sistema Único de Assistência Social (SUAS) organiza serviços e políticas públicas voltados à proteção de pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade. A proposta é identificar necessidades, ampliar o acesso a direitos e construir, junto com as famílias, alternativas para enfrentar os desafios do dia a dia.

Para Maria da Penha Oliveira, psicóloga e coordenadora do Grupo Aconchego, é importante compreender que as dificuldades enfrentadas por uma família não devem ser analisadas isoladamente. “Quando uma família passa por um momento difícil, é preciso olhar para o que está acontecendo ao redor dela. Antes de julgar ou apontar responsabilidades, precisamos entender quais são as necessidades daquela família e que tipo de suporte pode ajudá-la a atravessar esse período”, afirma.

Na prática, esse acompanhamento pode começar no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), que atua na prevenção de situações de risco e no fortalecimento dos vínculos. Entre as ações desenvolvidas está o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), que oferece acompanhamento às famílias, orientações e acesso a serviços, benefícios e outras políticas públicas.

Quando os direitos já estão ameaçados ou foram violados, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) pode oferecer atendimento especializado por meio de serviços como o de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI). A atuação depende das necessidades identificadas e busca contribuir para a superação das situações de violência, negligência e outras violações, além de fortalecer a função protetiva da família.

Outro recurso importante é o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), que integra a Proteção Social Básica do SUAS. Por meio de atividades em grupo, encontros e experiências coletivas, o serviço favorece a convivência, a socialização e a construção de redes de apoio. “Fortalecer vínculos não significa esperar que uma família esteja em crise para oferecer ajuda. Significa criar oportunidades para que as pessoas convivam, compartilhem experiências, construam relações de confiança e saibam onde procurar apoio quando precisam”, explica Maria da Penha.

A prevenção também passa pela compreensão de que pobreza e falta de recursos materiais, por si só, não justificam o afastamento de uma criança ou adolescente de sua família. O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que a ausência de recursos materiais não é motivo suficiente para a perda ou suspensão do poder familiar. Nesses casos, a família deve ser incluída em serviços e programas de proteção, apoio e promoção social.

Isso não significa que todas as situações possam ser resolvidas apenas com acompanhamento. Quando há violência ou risco à integridade de uma criança ou adolescente, medidas de proteção podem ser necessárias. Para Maria da Penha, reconhecer a necessidade de ajuda não deve ser motivo de vergonha. “Quando os serviços públicos conseguem chegar a essas famílias no momento adequado, é possível construir caminhos para que elas enfrentem suas dificuldades com mais segurança e não precisem lidar sozinhas com problemas que exigem uma rede de proteção”, destaca.

A prevenção do rompimento de vínculos depende de serviços acessíveis, profissionais preparados e políticas públicas capazes de reconhecer as dificuldades antes que elas se transformem em situações mais graves. Mais do que responder a uma crise, a assistência social pode ajudar a criar condições para que famílias encontrem apoio, fortaleçam suas relações e continuem construindo suas histórias juntas.

Foto: Magnific
Fonte: Proativa Comunicação

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