O MinistΓ©rio das Mulheres (MMulheres) firmouΒ parceria, nesta segunda-feira (9), com a Universidade de BrasΓlia (UnB), para elaborar diretrizes arquitetΓ΄nicas para a construΓ§Γ£o da futura Casa da Mulher IndΓgena (CAMI), que irΓ‘ atender mulheres indΓgenas em situaΓ§Γ£o de violΓͺncia.Β Β
De acordo com a pasta, cadaΒ unidadeΒ deverΓ‘ ter infraestruturaΒ adequadaΒ Γ s necessidades e demandas das mulheres dosΒ diferentes biomas. O projeto deverΓ‘ seguir as orientaΓ§Γ΅es do LAB Mulheres, Arquitetura e TerritΓ³rios (LAB_M.A.T), da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da UnB, e considerar edificaΓ§Γ΅es sensΓveis Γ natureza.
Durante aΒ cerimΓ΄nia, a ministra das Mulheres, Cida GonΓ§alves, disse que, para a elaboraΓ§Γ£o do projeto, a pasta jΓ‘ tem dialogado com lideranΓ§as dos povos indΓgenas, representantes de governo, como os ministΓ©rios dos Povos IndΓgenas, da SaΓΊde, da JustiΓ§a e SeguranΓ§a PΓΊblica, alΓ©m da FundaΓ§Γ£o Nacional dos Povos IndΓgenas (Funai).

BrasΓlia (DF),09/12/2024 – A ministra das Mulheres, Cida GonΓ§alves, anuncia projeto para Casa da Mulher IndΓgenaΒ –Β Foto:Β Marcelo Camargo/AgΓͺncia Brasil
βΓ um grande desafio a construΓ§Γ£o da Casa da Mulher IndΓgena, pois o que existe na Casa da Mulher Brasileira nΓ£o poderΓ‘ compor na Casa da Mulher IndΓgena. Portanto, sΓ£o necessΓ‘rios diΓ‘logos com as mulheres indΓgenas nas oitivas, plenΓ‘rias, assembleias e nas conferΓͺncias realizadas em parceria com o MinistΓ©rio dos Povos IndΓgenas, porque a concepΓ§Γ£o arquitetΓ΄nica e a polΓtica devem ser trabalhadas juntas e coletivamenteβ,Β disse.
Historicamente, a violΓͺncia contra mulheres indΓgenas nΓ£o se limita ao Γ’mbito familiar, mas ocorre em diversos setores da sociedade, influenciada por fatores histΓ³ricos, culturais e sociais, relacionados, sobretudo, Γ violaΓ§Γ£o dos direitos dos povos indΓgenas, agravados por racismo, e sexismo.
A reitora da UnB, Rozana Reigota Naves, antecipouΒ que a assinatura doΒ Termo de ExecuΓ§Γ£o Descentralizada (TED) deverΓ‘ preencher uma lacuna significativa nas polΓticas pΓΊblicas voltadas Γ s mulheres indΓgenas que enfrentam mΓΊltiplas formas de violΓͺncia, muitas vezes, sem o suporte necessΓ‘rio. βA criaΓ§Γ£o de um espaΓ§o arquitetΓ΄nico sensΓvel Γ s realidades indΓgenas Γ© um passo fundamental para mitigar as vulnerabilidades dessas mulheres, ao mesmo tempo que valoriza suas tradiΓ§Γ΅es e promove a autonomia de suas comunidades.β
βTemos de trabalhar em uma escuta ativa das comunidades indΓgenas e, sobretudo, promovendo que os resultados dessas pesquisas retornem Γ s comunidadesβ, afirmou Rozana Reigota Naves.
Casas da Mulher IndΓgena
Ao todo, o ministΓ©rioΒ prepara a construΓ§Γ£o de seis Casas da Mulher IndΓgena, uma unidade em cada bioma brasileiro (Caatinga, Pampa, Pantanal, AmazΓ΄nia, Cerrado e Mata AtlΓ’ntica). Nestes equipamentos pΓΊblicos, serΓ£o oferecidos serviΓ§os especΓficos de acolhimento e atendimento Γ s mulheres indΓgenas em situaΓ§Γ£o de violΓͺncia, com identidade tradicional, que leve em conta seus aspectos culturais e respeite a dignidade delas.
AlΓ©m do encaminhamento dasΒ vΓtimas Γ rede de atendimento especializada, o projeto em elaboraΓ§Γ£o prevΓͺ que a atuaΓ§Γ£o da equipe multidisciplinar deverΓ‘ formar lideranΓ§as, bem como desenvolver aΓ§Γ΅es educativas e de sensibilizaΓ§Γ£o nas comunidades sobre o tema.
Casa da Mulher Brasileira
A Casa da Mulher Brasileira Γ© um dos eixos do Programa Mulher Viver sem ViolΓͺncia, retomado pelo MinistΓ©rio das Mulheres em marΓ§o de 2023.
O objetivo dessas unidades Γ© facilitar o acesso aos serviΓ§os especializados para garantir condiΓ§Γ΅es de enfrentamento Γ violΓͺncia, o empoderamento da mulher e sua autonomia econΓ΄mica.
Com foco no atendimento multidisciplinar e humanizado Γ s mulheres, a Casa da Mulher Brasileira integra, no mesmo espaΓ§o, diversos serviΓ§os especializados: acolhimento e triagem; apoio psicossocial; delegacia; Juizado; MinistΓ©rio PΓΊblico, Defensoria PΓΊblica; cuidado das crianΓ§as β brinquedoteca (acolhe crianΓ§as de 0 a 12 anos, que acompanham as mulheres, enquanto estas aguardam o atendimento); alojamento de passagem; central de transportes; promoΓ§Γ£o de autonomia econΓ΄mica, por meio de educaΓ§Γ£o financeira, qualificaΓ§Γ£o profissional e de inserΓ§Γ£o no mercado de trabalho.
Atualmente, existem dez Casas da Mulher BrasileiraΒ em funcionamento: Campo Grande, Fortaleza, CeilΓ’ndia (DF), Curitiba, SΓ£o LuΓs, Boa Vista, SΓ£o Paulo, Salvador, TeresinaΒ e Ananindeua (PA).
Outras 17 unidades estΓ£o em construΓ§Γ£o, sendo dezΒ centros de referΓͺncia e atendimento Γ mulher e mais sete Casas da Mulher BrasileiraΒ em obras, localizadas em Manaus, Aracaju, Palmas, Vila Velha (ES), GoiΓ’nia, MacapΓ‘ (AP) e Belo Horizonte (MG).
A meta do governo federal Γ© ter, ao todo, 40 Casas da Mulher Brasileira em funcionamento, atΓ© 2026, em todas as unidades da FederaΓ§Γ£o.
Fonte: AgΓͺncia Brasil