Flávio Resende*
Os negócios de impacto socioambiental no Brasil vivem uma fase de forte expansão. São empreendimentos que unem sustentabilidade financeira à geração intencional de impacto positivo no planeta. Esses modelos de negócio, consolidados pelo Decreto 11.646/2023 e alinhados à agenda ESG, são a bola da vez, embora a concentração destas iniciativas ocorra predominantemente (56%) na região Sudeste do país.
Cerca de 38% das empresas de impacto focam em consumo e produção responsáveis, alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. O crescimento desse ecossistema, por sua vez, demonstra uma mudança no mercado, onde a geração de impacto positivo passa a ser um diferencial competitivo e não apenas uma ação de marketing.
De acordo com o Mapa de Negócios de Impacto de 2021, as três maiores dores dos empreendimentos de impacto são: recurso financeiro, mentoria (estratégia), e comunicação, nessa ordem.
Na prática, as iniciativas sustentáveis, muitas vezes, não têm estrutura e orçamento para investir em comunicação profissional. Logo, gera-se uma dependência de outras organizações do ecossistema de impacto, que invistam nestes negócios para que possam se manter no mercado e escalar sua atuação.
Neste cenário, a Comunicação e o Marketing são fundamentais para auxiliar os empreendedores a crescerem e se manterem no mercado. É senso comum que o fortalecimento de uma marca depende de sua construção, posicionamento, alinhamento e coerência com o tipo de negócio que representa.
A Comunicação auxilia, portanto, na divulgação de informações, na exploração de novos espaços de diálogo e no alcance do público pretendido.
O mercado vem se transformando, assim como o comportamento das pessoas, a cultura, as ações empresariais, os novos investimentos e as próprias iniciativas em si.
Trabalhando há 30 anos com Comunicação Corporativa, descobri que não precisava, necessariamente, empreender nesta área. Poderia usar o conhecimento que acumulei em todos estes anos para ajudar empreendedores sociais encontrarem um caminho possível, neste mar de possibilidades que o Marketing Digital e, mais recentemente, as Inteligências Artificiais (IAs) oferecem.
Somos uma espécie de “infiltrados no sistema” para ajudar a potencializar iniciativas que mudam a vida das pessoas e de todos os serem que habitam a Terra.
Ressignifiquei o olhar para encontrar sentido onde já não havia mais. Avante! O mundo já não aguenta mais esperar!
* Flávio Resende é brasiliense, tem 48 anos, é formado em Jornalismo e dirige há 25 anos a Proativa Comunicação, primeira agência da capital federal a olhar para o impacto social como oportunidade de negócio e de regeneração (de si e do mercado em que atua). Âncora do podcast Laços Solidários (veiculado pela Rádio Sucesso FM), que dá voz a iniciativas de impacto e voluntariado, Flávio assina colunas sobre o tema em veículos da cidade. Em novembro do ano passado, foi talker do TEDx Brasília, falando sobre o voluntariado e impacto social. É co-autor do Guia de Impacto Socioambiental para a Imprensa e ex-conselheiro da Coalizão pelo Impacto Brasília. Além de assessor de Imprensa do Impact Hub Brasília, Flávio também foi um dos mentores de Comunicação do hub, primeiro da capital federal a congregar o ecossistema de impacto. Mais recentemente, passou a integrar o coletivo Regenera Brasília / Instituto Regenera Hub, OSC criada para fomentar e realizar projetos e iniciativas de regeneração do ser, das relações e dos biomas.