Contratações são resultado do trabalho de formação socioemocional e preparação para a autonomia na vida adulta do projeto social
Estênio Eduardo da Silva Santos, de 20 anos, Maicon Lourenço de Oliveira, de 18, e Ronilson Gabriel da Conceição, de 19, viveram a experiência do acolhimento institucional e agora iniciam um novo capítulo em suas trajetórias: os três foram contratados como monitores do projeto de impacto social Filhos da Nação, que atende crianças e adolescentes acolhidos e vinculados ao Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA). Eles conheceram de perto a metodologia da Remoterapia e foram contratados após demonstrarem habilidades práticas e socioemocionais alinhadas ao trabalho do projeto.
Por meio dos esportes a remo, stand up paddle e canoa havaiana, combinados aos princípios da psicologia junguiana, o Filhos da Nação oferece uma metodologia exclusiva que desenvolve competências como disciplina, comunicação, cooperação, liderança, responsabilidade, confiança e capacidade de lidar com desafios. São habilidades trabalhadas tanto nas atividades na água quanto nas rodas de conversa e que contribuem para a vida adulta e o ambiente profissional. “A empregabilidade não começa na entrega de um currículo. Começa quando o jovem reconhece suas capacidades, percebe que sua presença tem valor e consegue imaginar um futuro para si. A contratação é resultado de um processo de vínculo, desenvolvimento e reconhecimento de potencialidades”, afirma Gabriela Speziali, idealizadora do Filhos da Nação. Estênio, mais conhecido como Edu, conheceu o projeto enquanto acompanhava meninos de instituições de acolhimento nas atividades, em 2025. Sua capacidade de dialogar e transformar vivências em reflexão chamou a atenção de Gabriela, que o convidou para atuar como monitor. Hoje, ele se destaca no apoio às rodas de conversa e às ações formativas. Fora do projeto, também atua como pesquisador social na Fiocruz e como articulador na defesa dos direitos de crianças, adolescentes e jovens.
Maicon concilia o trabalho como monitor com a trajetória de atleta de canoa havaiana construída no Filhos da Nação desde que ingressou no projeto, em setembro de 2025. Com a equipe Júnior 19, conquistou a medalha de prata no Campeonato Brasileiro de Sprint e uma vaga para o Campeonato Mundial de Va’a, em Singapura. Foi ainda terceiro colocado na segunda etapa do Campeonato Brasiliense de Va’a Maratona, na categoria V1. Na primeira etapa da competição, conquistou o terceiro lugar na categoria Open e o segundo na categoria individual V1.
Ronilson, que gosta de ser chamado de Rone, participou da primeira atividade do Filhos da Nação, em 2017. Mesmo tendo se afastado em alguns períodos devido à distância da instituição onde vivia, manteve o projeto como uma referência em sua trajetória. Reaproximou-se ao completar 18 anos e hoje integra a equipe como monitor.
“Na canoa, cada pessoa precisa assumir sua responsabilidade para que todos avancem. É uma experiência que ensina compromisso, confiança e trabalho em equipe. São aprendizados que esses jovens levam para a vida profissional”, destaca Tiago Batista, cofundador do projeto.
A empregabilidade integra esse processo de preparação para a autonomia, com foco na transição para a vida adulta. Para muitos adolescentes em acolhimento institucional, a aproximação da maioridade é marcada pelo temor de deixar os serviços onde vivem sem uma rede de apoio fortalecida e sem oportunidades para construir o próprio caminho.
Diante dessa realidade, o Filhos da Nação desenvolve habilidades socioemocionais relacionadas ao mundo do trabalho, como colaboração, dedicação, resiliência, disciplina, empatia, autorresponsabilidade, perseverança, manejo das emoções e capacidade de enfrentar desafios. O projeto também articula oportunidades com empresas parceiras, preparando esses jovens não apenas para conquistar uma vaga, mas para permanecer no mercado de trabalho, gerar renda e conduzir a própria vida. O objetivo é que cada um reconheça seu potencial, conquiste autonomia e siga seu caminho com dignidade e perspectivas de futuro.
Fonte: Talita Costa