Jovens da organização estarão em Belo Horizonte para discutir preparação para a vida adulta, autonomia
e políticas de apoio no pós-acolhimento
O Grupo Aconchego, organização que atua na promoção do direito à convivência familiar e comunitária, participa, nos dias 29 e 30 de setembro, do Seminário Minha Vida Fora do Acolhimento 3, realizado pelo Movimento Nacional Pró Convivência Familiar e Comunitária, a na PUC Minas, em Belo Horizonte (MG). O encontro reúne jovens e profissionais, pesquisadores, representantes do poder público e organizações da sociedade civil para discutir os desafios enfrentados por adolescentes e jovens no processo de desligamento dos serviços de acolhimento e na construção da vida adulta.
Jovens acompanhados pelo Aconchego também estarão presentes no seminário, participando de um espaço nacional pensado para ouvir suas experiências, perspectivas e expectativas sobre a vida após o acolhimento. A presença deles reforça uma das principais propostas do encontro: garantir que os próprios jovens tenham voz nas discussões sobre autonomia, preparação para o desligamento e construção de políticas públicas voltadas a essa etapa da vida. A programação prevê, inclusive, um momento de entrevista com os jovens no dia 29 e a participação dos autores do livro Minha Vida Fora do Acolhimento – Depoimentos, que será lançado no segundo dia do evento.
A participação do Aconchego integra a programação da Mesa 2, que será realizada no dia 29, às 16h, e terá como tema “Medidas para a atenção às especificidades dos adolescentes acolhidos e à preparação na transição para a vida adulta”. Adrielly Félix da Silva Assunção, jovem integrante do Projeto Jovem em Movimento, do Aconchego, participa do debate ao lado de representantes de organizações e serviços de diferentes estados brasileiros. A mesa será mediada por Estela Argolo, do Aconchego/MNPCFC, e Karen Fernandes José, do Movimento Nacional Além do Acolhimento.
O seminário também terá outros momentos dedicados diretamente à escuta dos jovens. No dia 29, a programação prevê o “Momento Celebre / Entrevista com os jovens”, enquanto no dia 30 ocorre o lançamento do livro Minha Vida Fora do Acolhimento – Depoimentos, com a presença dos jovens autores. A programação ainda contempla debates sobre pesquisas, preparação para o desligamento, experiências municipais, políticas intersetoriais e estratégias de suporte aos jovens egressos.
Para a psicóloga e coordenadora do Aconchego, Maria da Penha, a participação no seminário reforça a importância de colocar os próprios jovens no centro das discussões sobre o futuro após o acolhimento. “Falar sobre a saída do acolhimento é falar sobre autonomia, pertencimento, escolhas e sobre as condições que esses jovens terão para construir suas próprias trajetórias. Por isso, é fundamental que eles estejam nesses espaços não apenas como tema de discussão, mas como sujeitos que participam, compartilham suas experiências e ajudam a pensar as políticas que dizem respeito às suas vidas”, afirma.
A presença do Aconchego no encontro também amplia a discussão sobre a necessidade de preparação para o desligamento dos serviços de acolhimento e de políticas de acompanhamento após essa etapa. O seminário propõe justamente um debate nacional sobre como fortalecer a autonomia dos adolescentes, preparar a transição para a vida adulta e construir uma rede de suporte para os jovens egressos.
Ao longo dos dois dias, especialistas e representantes de instituições como IPEA, Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), Secretaria Nacional de Assistência Social, Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Defensoria Pública de Minas Gerais, além de organizações da sociedade civil, participam das discussões.
“A transição para a vida adulta não acontece no dia em que o jovem deixa o serviço de acolhimento. É um processo que precisa ser preparado e acompanhado, com políticas públicas e uma rede capaz de oferecer suporte. O seminário é importante justamente porque reúne diferentes experiências para discutir como podemos avançar nessa proteção”, destaca Maria da Penha.