No Dia da Infância, especialista reforça que afeto, proteção e convivência familiar são fundamentais para o desenvolvimento emocional e cognitivo de crianças e adolescentes
Brincar, aprender, conviver e construir vínculos seguros fazem parte de uma infância saudável. Mais do que momentos importantes do desenvolvimento, essas experiências estão relacionadas a direitos fundamentais de crianças e adolescentes, previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). No Dia da Infância, celebrado em 24 de agosto, o debate sobre a importância de garantir ambientes seguros e relações de afeto ganha destaque, especialmente para crianças que passaram ou passam por situações de acolhimento.
A convivência familiar e comunitária é um dos direitos assegurados pelo ECA e tem papel fundamental no desenvolvimento infantil. É no contato cotidiano com adultos de referência que a criança constrói relações de confiança, desenvolve sua identidade e encontra segurança para explorar o mundo. Por isso, quando o afastamento da família de origem é necessário como medida de proteção, a rede responsável deve trabalhar para preservar vínculos e buscar, sempre que possível, a reintegração familiar.
Para Maria da Penha Oliveira, psicóloga e coordenadora do Grupo Aconchego, o afeto e a estabilidade das relações têm impacto direto na forma como a criança se desenvolve. “A criança precisa de relações nas quais se sinta segura, reconhecida e protegida. É por meio dessas experiências de cuidado e afeto que ela vai construindo sua confiança, sua autonomia e também a percepção de que o mundo pode ser um lugar seguro para ela”, explica Maria da Penha.
O impacto desses vínculos vai além do aspecto emocional. Relações estáveis e ambientes que oferecem proteção e estímulo também favorecem o desenvolvimento cognitivo, a aprendizagem e a capacidade de estabelecer relações sociais. Ter adultos disponíveis para ouvir, brincar, estabelecer limites e responder às necessidades da criança contribui para que ela desenvolva recursos para lidar com diferentes situações ao longo da vida.
A adoção, por sua vez, pode ser uma alternativa quando não existem condições para o retorno à família de origem ou extensa. Nesse contexto, a construção de uma nova família também deve considerar a história, os vínculos e as experiências anteriores da criança.
Segundo Maria da Penha, garantir o direito à convivência familiar não significa apenas assegurar que a criança tenha um lugar para morar, mas oferecer relações capazes de promover segurança e pertencimento. “Quando falamos em convivência familiar, não estamos falando apenas de estar fisicamente em uma casa. Estamos falando de ter relações de cuidado, de poder construir memórias, ser escutado, brincar, aprender e sentir que existe um adulto que está disponível e comprometido com aquela criança. Isso é essencial para o desenvolvimento”, afirma.
O desafio, portanto, é garantir que as políticas públicas e a rede de proteção atuem não apenas diante das violações de direitos, mas também na prevenção de situações que possam levar ao rompimento dos vínculos familiares. O fortalecimento das famílias, o acompanhamento especializado e a articulação entre assistência social, saúde, educação e demais serviços são estratégias importantes para assegurar que crianças e adolescentes tenham condições de viver uma infância protegida.
Para o Aconchego, defender esse direito é reconhecer que uma infância protegida não se resume à ausência de violência ou negligência. Ela também envolve a possibilidade de criar vínculos, brincar, descobrir o mundo e construir um sentimento de pertencimento que acompanhe a criança em seu desenvolvimento.
Foto: Magnific
Fonte: Proativa Comunicação