ONU reconhece iniciativa brasileira Araticum como Referência da Restauração Mundial

A ONU reconheceu a Araticum – Restauração do Cerrado Brasileiro como uma Iniciativa de Referência da Restauração Mundial (World Restoration Flagship), destacando o grande esforço para restaurar o Cerrado, uma das savanas tropicais mais biodiversas do mundo e bioma que sofre intensa pressão devido à conversão e fragmentação de terras e às mudanças climáticas.

O anúncio, feito durante evento na 17ª sessão da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17 da UNCCD), reconhece a iniciativa Araticum – Restauração do Cerrado Brasileiro junto a outros dois projetos emblemáticos de restauração, localizados na Arábia Saudita e no Sahel. Com esse reconhecimento, o Brasil torna-se o único país até o momento a receber dois títulos de Iniciativas de Referência da Restauração Mundial.

“O reconhecimento do Cerrado como Iniciativa de Referência da Restauração Mundial demonstra que o Brasil está reconstruindo uma política ambiental capaz de aliar conservação da biodiversidade, ação climática e desenvolvimento,” afirmou João Paulo Ribeiro Capobianco, Ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil. “A restauração da vegetação nativa é uma prioridade estratégica para o país, porque protege nossos recursos hídricos, fortalece a resiliência dos territórios, gera oportunidades para as populações locais e contribui para o cumprimento dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. Esse reconhecimento amplia a visibilidade da agenda brasileira de restauração e fortalece nossa capacidade de estabelecer novas parcerias e atrair investimentos para acelerar sua implementação”.

“Restaurar o Cerrado significa cuidar do nosso clima, da nossa água e do nosso futuro”, afirmou Fabrícia Santarém, coordenadora da Araticum e coletora de sementes Geraizeira que recebeu o prêmio durante a COP17. “A escolha do nosso bioma como uma Iniciativa de Referência da Restauração Mundial da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas reafirma a necessidade de investir na restauração de florestas, savanas e campos nativos, bem como na autonomia e no fortalecimento das organizações comunitárias que estão na linha de frente da conservação.”

A Araticum reúne mais de 180 organizações, Povos Indígenas e Quilombolas, comunidades locais, agricultores, pesquisadores, organizações sociais, iniciativa privada e instituições governamentais para apoiar projetos de restauração em nove estados brasileiros, e já mapeou mais de 27 mil hectares em processo de restauração, com novas áreas sendo continuamente incorporadas por meio de sua plataforma de monitoramento. Esse trabalho é realizado por meio da regeneração natural, da semeadura direta, da restauração ecológica e de sistemas agroflorestais com espécies nativas.

Até 2030, a Araticum pretende alcançar 2 milhões de hectares em restauração, contribuindo para a valorização dos ecossistemas não florestais e para o compromisso nacional do Brasil de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa.

Para isso, combina a restauração ecológica com ferramentas sociais e econômicas, incluindo programas de pagamento por serviços ambientais, agricultura sustentável, sistemas agroflorestais, planejamento territorial e articulação com políticas públicas.

E o que significa ser uma Iniciativa de Referência da Restauração Mundial?

Liderado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), no âmbito da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas, este prêmio reconhece algumas das iniciativas de restauração de ecossistemas mais ambiciosas e impactantes do mundo.

A iniciativa Araticum – Restauração do Cerrado Brasileiro, é uma das 30 iniciativas de restauração reconhecidas pela ONU desde 2022. Juntas, essas iniciativas já somam quase 20 milhões de hectares em processo de restauração e abrangem compromissos para restaurar cerca de 75 milhões de hectares até 2030, ao mesmo tempo em que geram mais de 800 mil empregos e contribuem para a recuperação e o aumento das populações de espécies da biodiversidade.

“Os impactos das mudanças climáticas, da seca e da desertificação, bem como as tensões geopolíticas em curso, estão afetando duramente os sistemas alimentares globais”, afirmou Inger Andersen, Diretora Executiva do PNUMA. “Investir na saúde das terras é uma das nossas defesas mais fortes contra essas ameaças. As três iniciativas reconhecidas hoje mostram que a restauração de ecossistemas traz benefícios significativos para todos – desde segurança alimentar e novos empregos até maior resiliência para milhões de pessoas.”

O progresso de todas as Iniciativas de Referência de Restauração Mundial é monitorado de forma transparente por meio da Estrutura de Monitoramento da Restauração de Ecossistemas (Framework for Ecosystem Restoration Monitoring – FERM), plataforma da Década da ONU dedicada ao acompanhamento dos esforços globais de restauração.

Saiba mais sobre o trabalho da Araticum: araticum.org.br/sobre

Foto: Luiza Soares/WWF Brasil

Fonte: Araticum 

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