Programa Integra Perifa 2.0, do Cidades Invisíveis, foi selecionado entre experiências de diferentes países para apresentação presencial na Paulo Freire Conference
Um projeto criado em Florianópolis para ampliar o acesso de jovens da periferia à tecnologia e à cidadania chegou à Columbia University, em Nova York. O Integra Perifa 2.0, programa do Cidades Invisíveis, foi selecionado entre 376 trabalhos de 11 países para participar presencialmente da Paulo Freire Conference, evento internacional que reuniu educadores, pesquisadores e gestores para compartilhar práticas pedagógicas inspiradas no pensamento de Paulo Freire. Realizada nos dias 18 e 19 de setembro, a conferência foi organizada pela Paulo Freire Initiative, com apoio do Institute of Latin American Studies (ILAS) e do Lemann Center for Brazilian Studies.
Desenvolvido desde 2021 com jovens da Grande Florianópolis, o Integra Perifa chegou em 2025 à versão 2.0, com formação em letramento digital e cidadania por meio da Práxis Tecnoética, metodologia inspirada na pedagogia de Paulo Freire. A abordagem propõe uma relação mais crítica com a tecnologia e trabalha temas como manipulação algorítmica, segurança de dados, ética e pensamento crítico. Foi essa abordagem que o Cidades Invisíveis apresentou aos pesquisadores e educadores reunidos em Nova York, mostrando como a tecnologia pode ser utilizada como instrumento de formação cidadã.
Para Tobias Alencastro, Coordenador Pedagógico do Cidades Invisíveis, o programa entende a tecnologia como ferramenta de formação e conscientização. “O Integra Perifa parte de uma ideia central, a de ler o mundo antes das telas. Construímos uma metodologia em que a tecnologia se torna meio para a conscientização, e não um fim voltado ao consumo e à alienação.”
A apresentação em Columbia amplia uma trajetória que começou no Morro da Mariquinha e hoje tem continuidade na Casa Cidades Invisíveis, sede da organização em Florianópolis. Desde setembro de 2025, o programa mantém aulas gratuitas duas vezes por semana no espaço e atualmente reúne 25 jovens. A grade curricular soma 48 horas, distribuídas em dez módulos que percorrem conteúdos do letramento digital básico à Inteligência Artificial. A formação também estimula os estudantes a criarem suas próprias soluções, como o jogo educativo Consciência na Rede, desenvolvido pelos participantes.
A experiência também ampliou as conexões do programa fora do Brasil. Samuel dos Santos, CEO e fundador do Cidades Invisíveis, que também participou da conferência, destaca a oportunidade de apresentar presencialmente o trabalho desenvolvido em Florianópolis. “Foi uma grande oportunidade levar esse trabalho além das nossas fronteiras, chegar a Nova York e apresentar presencialmente o Integra Perifa 2.0 na Columbia University, uma das melhores universidades do mundo. É muito importante ver uma iniciativa que nasceu em Florianópolis alcançar outros países. Foi uma viagem para conhecer, trocar e abrir novas possibilidades para o nosso trabalho”, afirma.
Além da formação em sala de aula, o Integra Perifa 2.0 mantém uma parceria estratégica com o Conexxão de Impacto TEC, do Instituto Nexxera, patrocinador do programa. A colaboração aproxima os jovens do mercado de tecnologia por meio de “aulões” com profissionais do setor, visitas técnicas à sede da Nexxera e simulações de entrevistas de emprego.
Para Jonatan Ribeiro, educador responsável pelas atividades do Integra Perifa 2.0, ver a transformação dos jovens ao longo da formação é uma das principais recompensas do trabalho. “Observar os jovens chegarem com uma visão sobre o que é tecnologia e saírem com uma perspectiva completamente diferente não tem preço. Como educador, é gratificante ver que eles saem do programa com conhecimento e senso crítico para utilizar ferramentas e sistemas. Quando recebi a notícia de que o Integra Perifa tinha chegado tão longe, tive o sentimento de dever cumprido e de que meu trabalho estava sendo reconhecido.”
Fonte: Rodrigo Ramos