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Tripé da Sustentabilidade verticaliza discussão do papel de empresas e pessoas na sociedade

Autor: Flávio Resende

O conceito de desenvolvimento sustentável no mundo foi criado em 1987, com o lançamento do relatório “Nosso Futuro Comum” (também conhecido como Relatório de Brundtland), pela ONU. Até então, não era muito comum pensar sobre a limitação dos recursos naturais e o impacto corporativo no meio ambiente. Isso significa que não existia, ainda, preocupação quanto ao impacto que grandes empresas e pessoas estavam gerando no mundo.

 

O Tripé da Sustentabilidade (triple bottom line) é, portanto, um conceito de gestão sustentável cuja proposta é ampliar a visão de sucesso de empresas para além do resultado financeiro, unindo mais dois pilares essenciais: o desenvolvimento ambiental e o social.

 

Felizmente, hoje, diminui o número de empresas (e pessoas) que só se preocupam com o dinheiro e esquecem dos impactos gerados por suas ações no mundo.

 

Desta forma, pensar nas futuras gerações, ser menos consumista e refletir sobre como gerar menos impacto parecem essenciais para qualquer prática humana e o tripé da sustentabilidade foi um dos primeiros movimentos nessa direção.

 

Também é sabido que o conceito do Tripé da Sustentabilidade, por si só, não se sustenta e é possível encontrar críticas quanto ao “modelo padrão sustentável”, criado, já na década de 1990, por John Elkington, fundador da SustainAbility, uma consultoria focada e comprometida com o desenvolvimento sustentável.

 

Os 3 Ps da Sustentabilidade

 

Bottom line vem do inglês e quer dizer “linha de fundo”, mas o que esse termo indica mesmo é a última linha do resultado financeiro de uma empresa. Em outra palavras, é a grande preocupação das empresas no mundo capitalista, já que a forma de se medir resultados sempre se deu por essa variável.

 

O conceito do Triple Bottom Line (Tripé da Sustentabilidade) ganhou força ao propor uma visão diferente, mais abrangente, onde o resultado deixaria de ser analisado por uma única variável e passaria a ter um peso similar para a visão ecológica e social nas empresas.

 

Em termos práticos, o que o Elkington tentou implementar foi a ampliação da preocupação com o mundo, trazendo para a mesa de debate mais dois bottom lines, o meio ambiente e a sociedade.

 

Assim, o tripé da sustentabilidade passou a ser conhecido como os 3 Ps da Sustentabilidade: People (Pessoas), Planet (Planeta), Profit (Lucro).

 

Para facilitar, relacionamos abaixo os elementos que marcam cada um destes tripés, a saber:

 

Social (People)

 

  • Ética
  • Salários justos
  • Cumprimento de acordos trabalhistas
  • Clima organizacional bom
  • Impacto no entorno
  • Contribuição com a comunidade

Ambiental (Planet)

  • Impacto no meio ambiente
  • Redução de desperdícios
  • Separação e descarte correto de resíduos
  • Consumo de água e energia reduzido
  • Foco em energias renováveis
  • Pegada de carbono

Financeiro (Profit)

  • Respeito ao fluxo de caixa
  • Cuidado com endividamento
  • Saúde financeira
  • Boa lucratividade
  • Pagamento de fornecedores no prazo

 

Mas como seria viável aplicar o Tripé da Sustentabilidade na sua Empresas, por exemplo?

 

A lista abaixo (que não está em ordem de prioridade) pode te dar uma noção de como começar a aplicar o tripé da sustentabilidade no seu negócio.

 

  • Mentalidade sustentável dos donos e gestores: pois são as pessoas responsáveis por definir o planejamento e o que será feito. Se você é um, comece a se questionar o que sua empresa ou área de negócio pode fazer de diferente para ser mais sustentável. Caso você não seja, converse e questione seus gestores propondo soluções possíveis e mostrando o caminho do que pode ser feito e os impactos positivos que podem ser alcançados por essas ações.

 

  • Influência na equipe: Conhecimento é a base de tudo e mostrar o tripé da sustentabilidade e os conceitos de desenvolvimento sustentável para os seus colaboradores pode ser a diferença de mentalidade necessária para que todos pensem com um objetivo em mente.

 

  • Equipe responsável pela sustentabilidade:Em algumas empresas maiores, ter uma equipe ou área destinada para cuidar da sustentabilidade pode ser o empoderamento necessário para que ações sejam pensadas e que um planejamento envolvendo toda a companhia seja praticado.

 

  • Diagnóstico de sustentabilidade: Esse costuma ser um excelente ponto de partida, pois é essencial entender o que já é feito hoje e onde melhorar para determinar as melhores ações para o futuro.

 

 

  • Acompanhe seus indicadores: Se você já entendeu onde está e definiu as suas prioridades, precisa acompanhar o resultado relacionado ao tripé da sustentabilidade periodicamente. Acredito que se pautar pelo Pacto Globale ser uma empresa signatária pode ser um bom caminho.

 

No final das contas, o tripé da sustentabilidade ou qualquer outro nome preocupado com o desenvolvimento sustentável no seu negócio só vai pra frente mesmo se os líderes da organização, seus colaboradores e objetivos estratégicos estiverem alinhados com uma prática mais preocupada com o meio ambiente, com a sociedade e, também mas não só, com os lucros.

 

E você? O que está esperando para começar? O resumo disso tudo é que quem ainda não entendeu a importância deste movimento já começa em desvantagem. Mas a boa notícia é que ainda dá tempo de virar a chave e dar um sentido mais profundo para seus objetivos e propósitos.

 

* Flávio Resende é jornalista, empreendedor social e diretor da Proativa Comunicação.

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