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Cuidando do meu jardim

Autor: Flávio Resende

Há trinta dias, minha rotina é sagrada: acordo cedo e, quase sempre antes mesmo do café, lá estou eu cuidando do jardim da casa nova – tal como sonhava realizar, em algum momento da vida. A hortinha, cultivada com muito amor, segue alegre e cheia de vida, mesmo depois de um ataque inesperado de formigas cortadeiras – moradoras do terreno vizinho.

Hoje, foi dia de plantar a bananeira trazida pela minha mãe, da fazenda.  Aproveitei também para adubar quase todas as plantas com o esterco das vaquinhas do meu pai, que, de longe, atendem a seu chamado quando ele toca o berrante ou as convoca por meio de um mugido que só eles mesmo entendem… Senti naquele momento que era o amor dele nutrindo o solo do terreno da minha casa e, de quebra, fortalecendo o meu coração angustiado com todos os desafios aos quais tenho sido submetido, nos últimos meses.

Eu tinha uma certa ideia, mas não sabia que tenho tanto dos meus pais em mim. Enquanto cavava os buracos, e as lágrimas caiam, lembrava-me de tantas vezes que ele me ensinou a cultivar a terra. E a respeitar os sinais e o fluxo da natureza. Ensinamentos que ele aprendeu do pai Geraldino, goiano do “pé rachado”, detentor de uma sabedoria quase em extinção (que, provavelmente, tenha aprendido com o pai dele também).

Meus momentos mais marcantes com meus pais, inquestionavelmente, foram vividos na fazenda Santa Rosa. Só ali conseguia me conectar de verdade com ele, adentrando seu universo particular.

Me vi nele (sistemático ao extremo) no dia em que orientei o jardineiro a guardar “minhas ferramentas” de forma organizada, assim como ele me ensinava a fazer na roça (e eu morria de raiva rs), quando alguém ousava usar seus instrumentos de trabalho (enxadas, foices, fações e carrinho de mão).

Cuidar do meu jardim, conversando com as plantas e passarinhos, tem me ajudado a reconectar com as minhas raízes e a me relembrar de quem eu sou de verdade.

Volta logo, pai! Sai deste hospital pra gente plantar aqui em casa quiabo, milho verde, mandioca e abóbora! Pequizeiro nativo do cerrado já tem! Afinal, estes são ingredientes indispensáveis para aqueles deliciosos almoços goianos de domingo, feitos divinamente pela mamãe, no fogão de lenha. E, para o meu sonho ser ainda mais completo, que seja aqui em casa! <3

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